23 set 2015

Promovido a irmão mais velho

por
Gabi Miranda

Comportamento, Destaque, Filhos

Irmão juntos

Todos perguntam como tem reagido o Benjamin desde a chegada da irmã. O irmão mais velho sente muito ciúmes?, querem saber. Parece mentira quando respondo, mas é a mais pura verdade, Benjamin não sente ciúmes. Não sei se por termos inserido ele em todo processo de gestação, ou porque Stella trouxe um presente para ele quando nasceu, ou se porque todos a nossa volta lembrou dele ao visitar Stella trazendo-lhe também um presente.

Nós também fomos surpreendidos com o comportamento dele. Durante a gestação toda ele vinha fazendo manha para chamar mais a minha atenção, o que me fazia imaginar o tamanho da encrenca que estava por vir. Logo nos primeiros dias em casa com a Stella, tivemos dois episódios de manha, o segundo me tirou do sério de me fazer dar um tapa na bunda dele. Foi um choque em mim. Eu, principalmente, a adulta da casa, precisava compreender a situação e sentimentos dele, um menino de apenas 4 anos que acabava de perder todo seu espaço tendo agora que dividir com uma bebê pentelha que só queria o colo da mãe que até então era só dele.

Depois tivemos mais dois episódios, no qual um deles, depois de um dia inteiro sozinha com os dois (sozinha não, com a companhia da minha irmã), dei um grito com Benjamin que além de outras coisas não parava de pronunciar “mãe, mamãe, manhê” milhões de vezes. Foi aí o segundo choque. Minha irmã me chamou a atenção dizendo que eu estava muito impaciente com ele o dia todo. Ela até chorou e me pediu para não falar mais para ele não chamar “mamãe” toda hora e para nunca mais dizer “ainda bem que ele vai voltar à escola na próxima semana”.

Para quem está de fora até pode imaginar que sou uma carrasca. Mas além de todo o cansaço das primeiras semanas com um RN em casa, ainda não tinha caído a ficha que eu também havia sido promovida. Agora eu era mãe de dois e isso exigia de mim, entre outras coisas, paciência e respeito para com meus filhos. Compreendi que as poucas manhas do Benjamin eram também um pedido de atenção, um grito “olha, continuo aqui, não me esqueça”. Passei a policiar o meu comportamento para que não refletisse no comportamento do meu filho mais velho. Comecei a levar as coisas de maneira um pouco mais leve, como brincar ao invés de mandar impacientemente ele pro banho. Ou seja, agora tento fazer de forma mais convidativa e leve ele realizar as tarefas corriqueiras, como jantar, guardar os brinquedos, etc. Coisa que marido sabe fazer bem melhor que eu (leia AQUI).

Enfim, dá para contar nos dedos as vezes que Benjamin teve uma crise de manha. Com todos nós, marido, eu, Stella e até a Capitu, ele é bem carinhoso, porém surpreende mais a forma como ele trata e já cuida da irmã. Todos os dias, ao chegar da escola ele corre para beijar-lhe a cabeça, mas não sem antes lavar as mãos (aliás, sempre que quer por a mão nela ele lembra de fazer isso), pede para pegá-la no colo, quer ajudar a dar banho e isso significa arregaçar as mangas da camiseta, colocar sabonete nas mãos e passar-lhe na barriguinha, pernas e pés. Ele sempre se dispõe a ajudar, pega fralda, roupa, toalha. Quando ela espirra ou arrota, ele logo lança “saúde, Stellinda”. Tem isso, começou a chamá-la de Stellinda antes mesmo de pronunciarmos esse apelido perto dele. E refere-se a ela como “o meu neném” de forma tão carinhosa que faz encher meu coração de mais amor. Ele quer levá-la a todo lugar: “mãe, vamos levar nosso neném?”, “vamos, por quê, Ben?”, “porque eu quero mostrar ela pra todo mundo”, me revelou um dia quando estávamos nos preparando para a nossa primeira saída social com ela.

O choro dela nunca o incomodou. Ele pode até estar dormindo que não acorda. Já perguntei “o coro dela não te irrita?” e ele responde calmamente “não”. E se ele acorda, a vê chorando e não estou por perto, ele logo pergunta “cadê a mamãe?” como se eu fosse a solução para acabar com o caos, como se ele já soubesse que é de mim que ela precisa. Ele já até identifica os choros dela “mãe, ela quer mamar agora”.

Quis dar-lhe um presente para retribuir o presente que ela havia trazido para ele. E quando ela completou um mês ele chegou em casa com um brinquedo, uns bonequinhos, Branca de Neve e os Sete Anões. Dia desses, comprou uma bolinha para ele numa padaria e para ela trouxe um chaveiro da Branca de Neve.

Quando ele chega em casa, costumo dizer para Stella “olha, chegou seu irmãozão”, pois é isso que ele tem sido desde que ela chegou, um grande irmão. É nítida a felicidade dele desde a chegada dela em nossas vida. Eu vejo os dois e penso que esse é só o começo dessa relação tão maravilhosa e de uma vida toda. Eu também estou só no começo dessa jornada que é ser mãe de dois, mas tenho cada vez mais certeza que fiz a escolha certa. Uma das melhores coisas das relações familiares, é ter irmãos, alguém com quem compartilhar a vida. Acho que Benjamin já percebeu isso e faz jus a seu novo papel.

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  1. […] E o Benjamin foi Promovido a irmão mais velho e desempenha muito bem o papel […]

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