08 jan 2020

Quem é sua melhor amiga?

Pitica – minha filha caçula Stella, me falava dia desses sobre suas amigas. Disse que tinha 3 amigas que gostava muito, mas confidenciou: “minha melhor amiga é a Maia”. E me perguntou: “e quem é a sua melhor amiga, mamãe? É a Mari?”

Comecei então uma conversa sobre amizade com uma menininha de 4 anos. Pode ser que ela já não lembre mais o que falei, mas quero registrar aqui para que ela um dia leia.

melhor amiga

Quem é sua melhor amiga?

Acredito que até um certo momento da vida, temos aquela pessoa que julgamos ser nossa melhor amiga. Aquela pessoa com quem brincamos e batizamos nossas bonecas, crescemos e confidenciamos as nossas primeiras vivências. O frio na barriga ao ver o primeiro amor. O primeiro beijo. A primeira vez. A primeira decepção. É com essa primeira melhor amiga que planejamos a vida e estabelecemos até alguns acordos (viajarmos juntas pelo mundo ou ser a madrinha do primeiro filho. E talvez nada disso aconteça).

A gente vai crescendo e adquirindo outras percepções e outros lugares no mundo. Conhecemos gente nova. Do maternal, vamos para ensino fundamental, ensino médio, faculdade, trabalho. Paramos de crescer de tamanho. Mas sabe o livro “o tamanho da gente” que sempre lemos antes de dormir e deixa a mamãe emocionada? Então, é como ele diz, a gente para de crescer por fora, mas continuamos crescendo por dentro.

A gente cresce em lugares, quando viaja; cresce em olhares, em sorrisos, em tristezas e em risos das pessoas que passam pela gente. Dentro da gente, colecionamos proezas, como a vez que você caiu dormindo da cama da mamãe e ganhou um galo do tamanho do globo do mundo. Ou como aquela vez que seu irmão caiu brincando com a bola e quebrou a clavícula. Dentro da gente, a gente cresce em lembranças, cresce em esperança, em vontade, em desejo de realizar sempre alguma coisa mais. E dentro da gente é tão grande que lá começam a morar pessoas.

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Dentro de mim, por exemplo, mora a minha mãe, sua avó que você não chegou a conhecer, mas algo me diz que a conheceu de algum jeito. moram seus tios. seu avô. seu pai. primos. a Claudia e a Alessandra, duas amigas do tempo do colégio, do tempo em que um joelho ralado doía menos que um coração partido e a gente não sabia disso. mora a Leybiana, amiga da infância e depois junto com a Patricia, amiga já da adolescência com quem compartilhei todas as minhas primeiras vezes da meninice. mora a Bruna e a Nina, duas amigas da época da faculdade. mora a Iradélia (que gosta de ser chamada de Déia) e a Aninha, amigas de um primeiro emprego de verdade que tive.

Dentro de mim mora a Thaís, a Dani, a Gisele, o Thi, o Isra, o Thiago, a Nayane, a Gabi – amigos de outros dois lugares que já trabalhei e que fizeram (e fazem) parte de muitos momentos da minha vida. mora a Karina, a Ciça, a Paola, a Moni, a Mari e mais um monte de gente que conheci através da blogosfera. mora a Lizandra que veio de presente da amizade da Dani. mora a Karine, uma amiga que ganhei na pós-graduação e com quem troco muitas ideias sobre finanças, espiritualidade, empreendedorismo.

Mora também a Amanda que foi a primeira pessoa que esteve comigo quando sua avó partiu (e eu nunca imaginei que ela seria a primeira pessoa que me abraçaria ao chegar no cemitério) e desde então nos tornamos muito amigas. mora gente que algum dia me magoou, mas que guardo as boas lembranças e o que de bom essa pessoa trouxe para minha vida; e mora mais um monte de gente que conheci através do meu trabalho com o mundo digital.

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Aliás,  dentro de mim, mora gente que eu nem conheço pessoalmente. Gente que me escreve e que com suas palavras deixa um pouco de afeto e esperança no ser humano. Porque é bem como diz o livro, filha, dentro da gente pode morar até o olhar de alguém que a gente nunca vai saber quem é, mas que passou por nós de repente, na rua, e nos olhou com um jeito meigo, de uma meiguice que foi embora com ela. Dentro da gente pode morar uma poesia, uma música, um livro que a gente leu e esquentou nosso coração num momento de angústia. Pode morar um dia de sol, o cheiro da terra quando chove, uma brincadeira de esconde-esconde. Pode morar uma tristeza, uma alegria. Então, podem morar muitas coisas, muitos sentimentos, muitas pessoas.

Quando a gente para de crescer de tamanho, acredito que paramos de categorizar uma pessoa como “melhor amiga” e passamos a dividi-las em grupos. As amigas do trabalho. Da internet. Do condomínio. Da faculdade. Da vida. E em todos esses grupos podem ter as amizades verdadeiras. Isso é essencial na vida. Porque dentro da gente podem morar muitas amigas e milhões de histórias. Algumas amigas estão com você em momentos de muita alegria. Outras estarão ao seu lado em momentos de sofrimento. E não necessariamente nos dois momentos. Porque em determinadas situações, tem gente que não sabe como reagir. E tem gente, filha, que não dá conta da própria dor. O que é importante, é saber valorizar as amizades verdadeiras.

Então, respondendo à sua pergunta…

A Mari faz parte da minha lista de amizades verdadeiras. Ela, assim como seu pai, é a minha pessoa. Sei que posso contar com ela na alegria e na tristeza. O curioso é que a gente se conhece há apenas 2 anos (tentei contato com ela há 4 anos pelo facebook, quando estávamos grávidas juntas, mas ela nunca me respondeu), não brincamos de boneca, não estudamos no mesmo colégio, não dormimos uma na casa da outra na adolescência, não ligávamos para saber que roupa a outra ia colocar para irmos à balada juntas, ela não foi minha cúmplice no primeiro beijo…

Mas em dois anos, já vivemos muitas coisas que não vivi com outras amigas. A gente já viajou juntas (sozinhas e em família), já passou Réveillon juntas, e em tempo de whats, a gente já ligou uma para a outra pra contar uma coisa importante ou para dar parabéns ou para saber se a outra precisava de algo. Eu já me peguei diversas vezes pensando que a gente devia ter se conhecido antes. É que tem coisas, filha, que acontecem na hora certa. E a gente acaba atraindo exatamente a mesma vibração de sentimentos que emanamos para o Universo. E não importa em que época da vida essas amizades verdadeiras surgem, a gente sabe que vai levar para o resto da vida.

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4 respostas para “Quem é sua melhor amiga?”

  1. Lizandra disse:

    Que texto lindo Gabis!!!
    Obrigada por sua amizade, não sou tão boa com as palavras (como vc sabe…rsrs), mas adoro vc é sua família!!! Espero que essa amizade dure até ficarmos velhinhas.
    Aliás, quem sabe faremos parte da mesma família?! Dividiremos os netos…kkkkkkk

  2. Karine Serezuella disse:

    Como sou grata por ter você na minha vida 💛

  3. Criatiane disse:

    Impossível não sentir amor e alegria ao ver, mesmo que pela telinha, a amizade de vcs! ❤️

  4. Elaine Martins Pozzi disse:

    que lindo texto Gabis… eu adoro ver vc e a Mari juntas 🙂

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