24 abr 2014

Questão de tempo

por
Gabi Miranda

Entretenimento, Maternidade

questão de tempo

Voltando de viagem, assisti a um filme chamado “Questão de tempo”. Nele, o personagem principal, chamado Tim, ao completar 21 anos, é informado pelo pai que todos os homens da família podem viajar ao passado. Para tal façanha, basta ir num local escuro e pensar na ocasião e local onde deseja voltar. Num primeiro momento, obviamente o rapaz não acredita, mas logo vai tirar a prova e descobre que é verdade – ele tem a capacidade de voltar e mudar o passado.

Comecei a assistir o filme descrente de que poderia oferecer alguma mensagem boa, parecia bobinho, até porque o rapaz começa usando seu poder para conseguir uma namorada. Mas na ida para Colômbia eu fui assistindo “12 anos de escravidão”. Jesus! Ninguém com o estado emocional em que eu me encontrava, pode assistir esse filme. É praticamente um suicídio. É triste e pesado demais, além de ser baseado em história real. Então, eu me permiti assistir algo no nível sessão da tarde. Eu merecia isso.

Tamanha foi minha surpresa ao longo do filme. Com o passar do tempo e alguns acontecimentos desagradáveis, Tim percebe que viajar no tempo e alterar o que tinha acontecido pode provocar resultados inesperados, e, que nem sempre podemos mudar um acontecimento sem sofrer as consequências.

Não vou descrever os acontecimentos do filme, porque perderia a graça. Mas digo que caiu como uma luva para mim naquele momento, parecia uma mensagem subliminar em resposta para tudo o que eu estava pensando. Não sei explicar, mas acredito em sinais e tenho ficado atentas a eles – não desistir de assistir esse filme foi um deles. Tim sofre uma profunda perda e aí vem a grande mensagem do filme.

Em determinada cena, ele entra num café e é bem atendido pela atendente, mas nem dá bola; anda pelas ruas sem perceber a beleza que existe em sua volta; age de forma mau humorada quando o chefe chama a atenção do colega de trabalho; ao final do dia ele chega em casa e responde para a mulher como foi seu dia, péssimo. Posteriormente, mostra a mesma cena de forma totalmente diferente. Ele sorrindo para a atendente do café, reparando na beleza de um prédio, fazendo piada por trás do chefe chato, contando para a esposa como foi seu dia e juntos fazem o dia terminar melhor ainda. Todo dia que acordamos temos a oportunidade de escolher como será nosso dia, como vamos responder a determinada situação.

Desde então, esse tem sido meu exercício diário. Minha mãe era uma pessoa muito otimista, a ponto de irritar – eu não achava possível alguém acreditar 100% do tempo que as coisas dariam certo, mas isso porque eu nunca acreditei que eu pudesse ser feliz sem ser “castigada” em intervalos (porque sempre acreditei naquela tal frase “o sofrimento é o intervalo entre duas felicidades”). Minha mãe acreditava que as coisas já haviam dado certo sem mesmo terem acontecido, simplesmente transbordava otimismo. Ela ligava todos os dias para desejar um feliz dia e seu mantra era “hoje só coisas boas acontecerão”.

Outro dia me perguntaram de onde tenho tirado tanta força. Num primeiro momento não soube responder e nem estava me achando forte. Mas dias depois, duas amigas me escreveram falando da força que estavam vendo em mim. Sinceramente?! Nem eu sabia que tinha. E o que eu tenho feito além de pesquisar sobre religião, buscar respostas sobre vida e morte, felicidade, otimismo, é também colocar em prática isso: acordo e escolho oferecer o meu melhor para as pessoas, um sorriso, um desejo verdadeiro de bom dia, escolho ser feliz – o que a minha mãe fazia naturalmente e diariamente.

O que eu fazia todas as horas do dia nas primeiras semanas, que era pensar em cada minuto em tudo o que aconteceu, pensar que ela não existe mais, que não tenho mais a avó do meu filho, me torturar pensando no que eu podia ter feito diferente para mudar aquele dia, procuro não fazer mais, espanto qualquer pensamento desse quando se aproxima. Faço o contrário. Tento manter viva em mim, a melhor parte de mim – minha mãe. Porque só assim também vou conseguir oferecer essa parte boa para o Benjamin.

Compreendi que não é só uma questão de tempo, mas também como você escolhe encarar a vida.

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3 respostas para “Questão de tempo”

  1. Amanda disse:

    Minutos antes da sua mãe partir vc me falou “ela não vai morrer pq eu não tenho força p aguentar isso”. Viu só, a gente não sabe a força q tem, ou q aprende a ter né… Mas o q importa é q vc está seguindo em frente e encarando o q tem q ser encarado. Infelizmente a vida não passa a não na nossa cabeça sempre… E nós temos q aprender a lidar c isso… E vc está se saindo muito bem! Consegue perecer o amadurecimento q teve nós últimos tempos?
    É muito difícil, mas vamos tentar ver o lado melhor dessa fase…
    E esse filme me pareceu muito c o Efeito Borboleta…

  2. Lizandra disse:

    Nos seus posts sempre deu pra perceber a admiração que tem pela sua mãe, quando fiquei sabendo da morte dela tentei imaginar o tamanho da sua dor (sem ter ideia de como é esse sentimento) e agora lendo esse post fico muito feliz em ver que essa admiração de dá força para superar essa perda e se tornar uma pessoa melhor. Sabe, o que percebo de tudo isso é que a sua mãe cumpriu e continua cumprindo o seu papel como MÃE!! Ela realmente deve ter sido um pessoa muito especial e deve estar mega orgulhosa do bom trabalho que fez enquanto esteve por aqui!!! Você e sua irmã são pessoas de sorte. Um super beijo!

  3. Lele disse:

    Linda
    te acho muito forte e fico feliz com a possibilidade de te ver transformar a energia.
    Força aí e se precisar to aqui
    SEMPRE!
    bjao
    Lele

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