07 jan 2014

Sempre alerta: crianças e animais de estimação

por
Gabi Miranda

Comportamento, Filhos

A pediatra do Benjamin sempre reforçou a importância de tomar cuidado com cachorro perto de bebê/criança. Uma das primeiras perguntas que ela fez na primeira consulta que tivemos foi: tem animal de estimação, qual? E o alerta: o cachorro não pode ficar perto do bebê, nunca se deve confiar no cachorro. Imagina, saí da consulta pensando, ela não conhece a Capitu.

Capitu é a cachorra mais dócil, quieta e mansa que já tive na vida toda. Antes do Benjamin nascer quem chegava em casa não imaginava que ali tinha cachorro, ela se escondia embaixo de algum lugar e só reaparecia quando a visita já tivesse ido embora. Com a chegada do Benjamin, o comportamento dela mudou da água pro vinho, quem chegava era abusivamente recebido com latidos impertinentes que demoravam para cessar. Até hoje, se chegam perto do Benjamin então, sai de perto. Ela virou defensora incansável do novo membro da família. E nunca sentiu ciúmes de mim ou do marido com o Benzoca.

Ela sempre esteve por perto. Se eu colocava Benjamin no sofá, ela deitava no pé dele. Se eu fosse fazer qualquer coisa em outro cômodo e ele resmungasse, ela vinha “avisar”. E continua assim, se Benjamin abre o berreiro ela sai correndo de onde está para ver o que aconteceu com ele. Quando ele começou a engatinhar, foi uma festa para Capitu – ela virou a irmã de quatro patas! E por meses era assim que eles brincavam: clique aqui e assista.

Benjamin passou a andar e ter mais autonomia, com isso a Capitu passou a perder o sossego dela. As brincadeiras passaram a não ser só na hora que ela queria, mas também na hora que ele quer. As brincadeiras do Benzoca com Capitulina se resumem em: agarrar, abraçar, apertar, (tentar) pegá-la no colo, agora deu pra querer montar na cachorra como se ela fosse um cavalinho, puxar o rabo, esconder a cara dela com um pano e tirar dizendo “achou”, pega pega (sim, eles brincam correndo dentro de casa um atrás do outro).

Todas as brincadeiras são monitoradas e obviamente limitadas. Por exemplo, Benjamin não puxa o rabo dela por maldade, mas considero isso uma maldade e sei que os animais ficam bravos quando mexem nessa parte específica do corpo, então já expliquei pra ele que não pode, que tem que fazer carinho. Subir em cima nem pensar, quando percebemos que Benzoca vai fazer isso, chamamos a atenção dele. Tentamos ensiná-lo sobre respeito – que tudo mundo quer, gosta e merece, inclusive animais e plantas (outro ser que tenho apresentado ao Benjamin) . Minha casa não é um oba-oba onde a criança faz o que quer com o nosso bicho de estimação. Aliás, Benjamin não faz o que quer em casa. Tem limites sim! O que para alguns pode até parecer exagero, lá em casa tem outro nome: disciplina.

Dia desses o inesperado aconteceu. Voltamos de viagem na sexta-feira (03/01) e Capitu estava exausta, em determinado momento à noite, ela estava esparramada no chão dormindo, Benjamin como já de costume, agachou ao lado dela e a abraçou com o braço por cima dela e a cabeça recostada na cabeça dela. Não deu tempo de chamar a atenção dele: Ben, deixa a Capitu em paz – o que é de praxe fazermos quando ela está dormindo. Capitu avançou nele e pegou no rosto. Não foi uma mordida concretizada (se é que posso definir assim), mas foi o suficiente para machucá-lo e assustá-lo.

crianças e animais

Não vou dizer que Capitu é santa, ela sabe se defender dos abraços do Benjamin quando ele a está infernizando (= atormentar em demasia), sempre dá umas rosnada, se afasta e explicamos para ele que ela não está a fim. Eu já comparei inúmeras vezes o Benjamin com a personagem de desenho infantil Felícia, pois de fato não é exagero de mãe babona, mas é amor em excesso que ele sente por ela e as intenções dele são boas.

Fiquei tão surpresa e incrédula que na hora não soube muito bem como reagir. Afinal os dois estavam errados: ele por agarrar a bicha dormindo, ela por tê-lo atacado. Dei bronca nela primeiro (que, inacreditavelmente, após o ocorrido levantou-se e veio atrás dele para ver se tinha machucado mesmo) e acudi o Benjamin que além de ter sido machucado, tinha levado um susto tremendo. Depois de calmo, chamei atenção dele. Expliquei porque várias vezes a mamãe já tinha falado pra não mexer nela quando ela estivesse dormindo. Ele pareceu entender. Naquela noite, Capitu sumiu por um bom tempo.

A pediatra do Benjamin sempre esteve certa.

A lição que tiro desse episódio e que quero compartilhar é:

não devemos confiar jamais em deixar a criança e o cachorro à vontade. Como disse uma amiga e leitora do blog, qualquer um dos dois pode estar no seu dia de cão, no bom sentido, e agir de forma inadequada. E cachorro tem outros instintos. Capitu possivelmente estava no 15º sono depois de uma viagem longa, sonhando que um leão pula nela e buuuuum, agiu por instinto. Temos que policiar a relação das crianças e seus bichinhos de estimação e ficar atentos o tempo todo, sempre apresentando-lhes os limites.

Benjamin passou um tempo da noite falando “Pitulina sumiu”. Depois de muito tempo Capitu apareceu e marido conversou com ela e chamou Benjamin para a conversa também. Meu pequeno de dois anos e meio que até semanas atrás me preocupava porque se retraía para pedir “desculpas”, agachou perto dela, fez um carinho e disse: “disculpa, pitulina”.

compartilhe!

0

comente!

Comente!

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.