14 nov 2014

Série: O que leva as mães pararem de trabalhar fora

por
Gabi Miranda

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Já faz algum tempo que  eu sentia vontade de entrevistar algumas mães que deixaram o trabalho fora para se dedicar mais à família. Esse era um desejo latente, queria descobrir os sentimentos que levam as mães a tomarem essa decisão. Isso porque eu não encontro em mim essa resposta, já que não me vejo parando de trabalhar para cuidar exclusivamente da família, embora quisesse ter mais tempo para isso. Dia desses postei o texto o que levam as mães pararem de trabalhar fora e aí surgiu a ideia: ao invés de entrevistas porque não depoimentos de mães com essa experiência? Selecionei a dedo e com muito carinho 4 mães. Todas com histórias e perfis bem diferentes, mas com uma coisa em comum: o amor! Quem estreia essa minissérie, é a Joceli, 39 anos, mãe de Julia, 9, e Diego.

Joceli e sua família (linda!)

Joceli e sua família (linda!)

Quando minha primeira filha nasceu, a empresa em que eu trabalhava faliu, então fiquei com ela ate 1 ano, antes de voltar a trabalhar.

Após 4 anos, meu filho menor nasceu e, quando voltei a trabalhar no fim da licença maternidade, comecei a me questionar e pesquisar sobre outras mães que pararam de trabalhar para ficar em casa com os filhos.

Ele estava com 8 meses e quando eu chegava em casa só o via dormindo, amamentava-o dormindo, pela manha não era diferente. A minha filha maior dormia mais tarde e assim conseguíamos ficar mais tempo juntas. O trabalho estava estressante, muita pressão, os meus filhos em casa, chegando tarde, cerca de uma hora e meia no trânsito.

Certo dia, após uma crise nervosa no meio do trânsito, sentei com o meu marido e falei sobre meus planos e com 100% do seu apoio, parei de trabalhar, fizemos várias adequações financeiras, pois meu salário compunha a renda mensal da família. No trabalho ainda fiquei por quatro longos meses, sai no mês de abril e foi somente neste mês que conheci a professora da minha filha maior.

Não tem nada que explique ver os primeiros passos dos seus filhos, as primeiras palavras, as gracinhas, sorrisos, as primeiras papinhas. Tudo é mágico e não vai acontecer de novo. Fiquei dois anos e meio em casa exclusivamente com eles, depois fui atrás de trabalho, mas nada brilhava meus olhos, não queria voltar a trabalhar o dia inteiro porque cada dia é um dia e cada fase é uma fase e, de verdade, não quero delegar isso para outra pessoa ou para escola, quero conseguir ver os meus filhos durante o dia, ao menos enquanto forem pequenos, ou enquanto eu tiver folego, ou enquanto eu não quiser enlouquecidamente aquele sapato/bolsa/roupa para eles e para mim.

Estou num trabalho que ainda não me dá um rendimento financeiro satisfatório mas eu acredito e quero acreditar, pois ele vai me possibilitar o tipo de vida que quero ter com meus filhos, trabalho de manhã, volto, almoço, levo para escola, trabalho à tarde, busco na escola, peço ajuda dos meus pais, do marido. Acompanho a lição de casa das crianças, janto com eles e cedo estão livres para brincar, dormir, ler, e não tem que me esperar chegar do trabalho tarde para começar tudo isto.

Para mim, o que fez uma diferença foi poder me doar como mãe em tempo integral e isso trouxe tranquilidade e equilíbrio para minha família e, principalmente, para mim. Me sinto completa, corajosa, poderosa como se eu fosse capaz de conquistar tudo que criar como possibilidade para minha vida.

Não me arrependo e não quer dizer que estou certa ou errada, simplesmente foi minha escolha e estou tranquila e feliz com ela e sinto que minha família também.

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