17 set 2013

Sob Pressão

por
Gabi Miranda

Livros, Puericultura

sob pressão

Acabo de ler o livro Sob Pressão, de Carl Honoré, Editora Record. Trata-se de um livro bastante reflexivo sobre a influência que as crianças sofrem não só dos pais, mas de todo mundo. Um livro bem produzido, baseado em pesquisas e “repleto de detalhes interessantes” como disse o Sunday Times.

Fiquei impressionada com as coisas que fazemos sem nos dar conta (ou damos?!), como por exemplo, elogios infinitos ressaltando o quanto nossos pequenos são inteligentes e especiais. Sim, porque eu não tinha dado conta até então. Acredito que fazemos com a intenção de acertar. No caso dos elogios, como não dizer a todo instante que eles são lindos?! O fato é que não temos a dimensão do impacto que nossos elogios exagerados, nossas escolhas tem em nossas vidas e, principalmente, na vida de nossos filhos.

Vivemos numa pressão incessante para que nossos filhos sejam melhores em tudo. Sejam felizes 100% do tempo e não sofram nunca. Segundo o autor, nós, pais, não somos os únicos a querer controlar as crianças. Além de nós, Estado e indústria da publicidade, fazem planos para infância. Basta olhar ao nosso redor.

Existe uma indústria para materializar tudo o que nossos filhos precisam. Ou melhor, tudo o que nós achamos que os filhos precisam. Usamos a tecnologia para vigiar as crianças. Câmeras, controle de acessos no computador, GPS, celular. Os filhos tornaram-se o centro do nosso universo. E um dos maiores problemas que as crianças sofrem é a ansiedade.

O livro traz algumas revelações absurdas. Pais que injetam hormônios nos filhos para que eles fiquem mais altos, cirurgias plásticas para deixar um rosto mais bonito. Só alguns exemplos do exagero que cometemos com os nossos “projetos de vida” filhos.

E nos alerta: o grande lance de tudo é não transformar nossos filhos em projetos. Como? Não sei. O livro não traz a receita, mas a leitura que fiz me diz que tem a ver com a questão da expectativa que colocamos (e não devemos) em nossos pequenos. Não podemos criá-los para fazer as coisas que desejamos, para nos tornarem felizes, para serem nossas realizações. Acho que vale a máxima de que “criamos os filhos para o mundo”. Logo, também não deveríamos super protegê-los.

Existe uma ansiedade por parte dos pais também. Não sabemos dosar a medida certa da bronca, do mimo, da liberdade, do que permitir ou não, e, pior, não sabemos dizer “não” aos nossos filhos – vacilamos e cedemos aos caprichos e desejos deles, não conseguimos impor limites. E esquecemos que existe uma diferença gritante em ser criança e adulto. Segundo o autor, vivemos numa era de criança troféu e também de insegurança, “a história mostra que, quando as pessoas se tornam inseguras sobre seu futuro, depositam energia em seus filhos”.

Devemos considerar que vivemos também na era da competição para sermos os melhores pais e termos os melhores filhos. Nós, mães, nos sentimos obrigadas a dar conta de tudo: casa, marido, filhos, cachorro trabalho e algumas loucas ainda inventam de ter blog, falando superficialmente. Consequentemente, obrigamos nossos filhos a realizarem: natação, futebol, curso de línguas, judô, balé… fazemos de tudo para manter nossos pequenos ocupados. E para quê? Por que não podemos simplesmente deixá-los ocupados com a infância?

Pressionamos as crianças a terem vantagens desde muito cedo. Queremos que comece a andar, falar antes que o filho da vizinha. Desfraldar antes dos dois anos. Fale inglês ao invés de português. “Quando a questão é o que as crianças devem fazer nos primeiros anos, brincar é mais importante do que perseguir metas de desenvolvimento”.

Vejo pelo exemplo de casa. Meu Ben realiza diversas atividades na escolinha e já me perguntei e conversei com o marido, a necessidade disso tudo se “brincar é o trabalho da criança”, segundo Maria Montessori, idealizadora da filosofia educaional Montessori. Mas sei que existem escolas com muito mais atividades que a dele, assim como existem as escolas que defendem o brincar integralmente.

A infância é preciosa demais. Talvez estejamos esquecendo do quão maravilhosa nossa infância foi. Eu não lembro de tanta pressão por parte dos meus pais. Mas também não sei como não colar um rabisco do Benjamin na geladeira ou como elogiá-lo menos. Confesso que faço dele meu projeto de vida. Mas estou aprendendo a dosar.

Vale muito a leitura desse livro.

*

ISBN: 8501082511
Edição:
Ano de Lançamento: 2009
Número de páginas: 368
Editora: Record
Preço: R$ 52,00

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5 respostas para “Sob Pressão”

  1. […] Ontem falei do livro Sob Pressão. Gostei e super indico a leitura. E como é de praxe aqui no Bossa Mãe, livro bom compartilhamos. Portanto, vamos sortear um exemplar novinho em folha do livro. […]

  2. Lele disse:

    Olha só!
    Tenho lido muito sobre isso e agora fiquei querendo esse livro!
    Adorei!
    beijos
    Lele

  3. Carina disse:

    Ei Gabi, adorei o post (rsrsrs, como sempre). Vou anotar pra comprar este livro. Lendo seu texto, me lembrei de uma frase que li numa reportagem de um psicólogo, mas não lembro o nome dele, que dizia, que os filhos fazem parte da família, e não são o centro da família.
    Essa frase me marcou muito, e penso sempre nela, neste momento que estou preparando tudo para a chegada do Heitor. Principalmente se estou fazendo coisas, tomando decisões e também agindo como se meu filho fosse o centro e não parte da família. Sei que é muito difícil, principalmente agora que ele não está ainda em meus braços, mas estou tentando trabalhar minha cabeça nesse sentido.
    Bjos,
    Carina.

  4. S disse:

    Adorei o texto… Aqui em casa tentamos nos policiar, pisar no freio mesmo, sabemos dizer não, tentamos não potencializar as coisas, não criar grandes expectativas, tanto que muitas coisas foram acontecendo naturalmente, mas claro que nem sempre conseguimos manter esse padrão e erramos, errar faz parte do processo. Fiquei curiosa p/ ler o livro.
    bjs

  5. Rose Misceno disse:

    Olha que texto maravilhoso, digno de sair na revista!! rs
    Quero o livro, quero muito ler!!
    Olha, no meu curso de pedagogia tive muitas disciplinas que tratavam da questão do brincar. A brincadeira é de grande importância na vida da criança. brincadeira livre e espontânea , não devemos forçar brincadeiras com a desculpa de que “brincando se aprende” e nem entupir as crianças com excessos de brinquedos pedagógicos. A criança aprende com qualquer brinquedo e qualquer brincadeira!
    No semestre passado fiz um curso chamado “Brinquedoteca, sustentabilidade e diversidade” e a professora me falou uma frase que quase me fez chorar em sala de aula, porque mexeu com minha profissão. Ela disse que uma menina de 5 anos virou pra ela e disse: “Em casa eu tenho tempo pra brincar, mas tenho amigos pra brincar. E na escola eu tenho amigos pra brincar, mas não tenho tempo.” A escola esqueceu a importância do brincar e principalmente, que brincar é importante pra qualquer idade, não só na pré-escola!
    Sabe, esse assunto mexe comigo, muito mesmo.
    Seu texto traz ótimas reflexões, mas essa me chama mais atenção!

    Beijos.

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