16 mar 2016

O que a maternidade significa pra mim

por
Gabi Miranda

Comportamento, Destaque, Maternidade

O que a maternidade significa pra mim?

maternidade

Você já deve ter escutado falar ou sentido a mesma coisa, mas a verdade é que não me lembro mais a pessoa que fui antes de ser mãe. Lembro das coisas que fazia, das roupas que vestia, mas não tenho lembranças da minha essência, se é que eu tinha uma, antes da maternidade. O sentido da vida era outro e acho mesmo que nada fazia sentido algum. Planos, objetivos, valores de vida mudam radicalmente quando se tem filhos. E, por sua vez, a maternidade muda e nos transforma avassaladoramente.

A maternidade é mesmo uma metamorfose. Uma experiência transformadora. Muda nossa natureza, crenças, ponto de vista. Nos torna pessoas capazes de tudo. Não sinto saudades da pessoa que fui, até porque fui apenas uma menina até ser mãe – quando acredito ter me transformado em mulher e uma pessoa mais forte do que eu imaginei que fosse. Minha vida pode ser dividida literalmente antes e depois da maternidade. E eu prefiro a segunda fase.
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08 mar 2016

O milagre da maternidade

por
Gabi Miranda

Comportamento, Destaque, Maternidade

Milagre: “Não acredita em Deus? Tenha filhos.”

milagre

Denise Fraga costumava dizer essa frase ao ver o milagre dos filhos crescendo: “não acredita em Deus? Tenha filhos”. Acho que nunca acreditei tanto em Deus, até que tive meus filhos. Primeiro veio Benjamin me mostrando que milagres existiam e filhos eram prova viva disso. Depois chegou Stella refortalecendo toda minha fé, me fazendo enxergar que Deus pode lhe tirar algo e tentar preencher essa falta de alguma forma.

Benjamin foi a minha primeira conexão com Deus e a chegada da Stella me fez começar a rezar, a me comunicar, mesmo que de forma tímida, com os Deuses e até com a minha mãe que há dois anos foi fazer parte desse outro plano. Quando se tem filhos, nos munimos de livros e manuais a procura de uma fórmula para criarmos as crianças ou da melhor receita para curar aquele resfriado que insiste em não ir embora. Mãe vive com medo e cheia de angústias, queremos, acima de tudo, ser a melhor mãe e, de preferência, perfeita.
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27 jan 2016

O lado B da maternidade

por
Gabi Miranda

Desabafo, Destaque, Maternidade

O lado B da maternidade existe sim, mas…

http://www.danielleguentherphotography.com/

http://www.danielleguentherphotography.com/

Tenho visto pela internet, textos com a pretensão de mostrar que a maternidade não é tão romântica como se vê por aí. Muitas amigas tem vindo comentar comigo que sentem vontade de ter filho ou de ter o segundo por conta das coisas que posto nas redes sociais sobre a minha nova vida como mãe de dois, principalmente da relação que Benjamin vem construindo com a irmã. Eu já disse que ter filhos traz felicidade, e admito que apesar de tudo, acho a maternidade maravilhosa. Esse “apesar de” trata-se do lado B da maternidade. Continuo acreditando que filhos trazem felicidade sim, mas maternar é contradição, maternar é doloroso. Ao mesmo tempo que a maternidade traz consigo muitas alegrias, traz também vários sentimentos imensuráveis. Taí a culpa – essa maldição da maternidade – que não me deixa mentir.

Alguns acham que as mães, inclusive mães blogueiras, ocultam o lado B da maternidade, eu não encaro assim. Em geral, acredito que tem o lance de culpa da culpa. Explico. Eu amo ser mãe, mas é difícil admitir que às vezes eu queria ir ao banheiro em paz, comer minha comida quentinha, dormir noites inteiras, não ser interrompida numa conversa com adultos, ir à uma festa com a única responsabilidade de me divertir sem ter hora para voltar pra casa, não ter que me preocupar com quem a criança ficará durante uma semana de férias enquanto eu trabalho. É difícil maternar quando ser mãe é sinônimo de amor incondicional, dedicação exclusiva, abrir mão de si próprio.
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15 jan 2016

Sobre medo, dinossauro e coragem

o-bom-dinossauro

2015. Crédito: Pixar/Divulgação. Férias na telona. Filme O bom dinossauro.

 

Eu tenho medo“. Confessou-me Benjamin.

Mas você tem coragem“. Afirmei.

Tenho“.

Você sabe o que é coragem?”, questionei.

Ué, é quando a gente tem medo, mas vai e faz“.

Benjamin tem apenas 4 anos, mas às vezes é como se eu falasse com um pequeno sábio. Parece-me ousado em suas teorias e cauteloso demais em suas ações. Vejo nele uma característica que sempre tive: medo. Dar pulos mirabolantes do sofá ou da cama para o chão, é com ele mesmo. Mas se aventurar nos brinquedos de um parque, nem pensar. Balanço, trepa-trepa, gangorra só sentiram o calor das mãos e a insegurança de Benjamin. Como mãe fico sempre na dúvida se devo encorajá-lo ou obrigá-lo a fazer algo que sente medo, para ver se ele enfrenta.

Não tem problema sentir medo, a verdade é que precisamos senti-lo, por razões até de sobrevivência. O reflexo do medo nos paralisa em determinadas situações, o que de certa maneira é ótimo, afinal, sem medo, teríamos todos uma vida louca, imbecil e quiça curta. Imagina, se toda criança não sentisse medo e saísse por aí colocando a mão na jaula de um tigre. Precisamos do medo para nos proteger dos perigos. Seja criança ou adulto, o medo sempre vai existir, algumas vezes mais forte, em outras nem tanto.
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12 jan 2016

Licença maternidade não é férias

por
Gabi Miranda

Desabafo, Destaque, Maternidade

licença maternidade

Imagem do Google

Existe uma falsa ideia de que licença maternidade é um período de descanso, algo idêntico a férias, já que a pessoa fica um período afastada da empresa, sem praticar as atividades profissionais. Nós mesmas, quando grávidas, fazemos genuinamente planos para os meses que ficaremos em casa. Vou organizar os armários da cozinha, praticar um hobby, passear, aproveitar a piscina, encontrar as amigas, ler aqueles 10 livros empoeirados há um ano na cabeceira, assistir todos os filmes vencedores do Oscar 2011,  2012, 2013, 2014 e, lógico, 2015… e mais uma lista infindável de coisas que, sinto informá-la, não serão feitas na sua licença maternidade.

Quem já tem a experiência de um filho, tem uma expectativa menor sobre o que conseguirá fazer na licença maternidade (e pode até ser que consiga fazer 2 ou 3 itens da lista) e se incomoda demais com a falsa ideia das pessoas sobre o que significa a licença maternidade. Você passa o último trimestre da gestação sem poder reclamar que está cansada, por exemplo, do trabalho. Ouve-se o tempo todo as pessoas dizerem “ah, mas logo você ficará um bom tempo em casa descansando e eu que continuarei trabalhando”. Obviamente essas pessoas não tiveram filhos e não tem a menor ideia da vida após o nascimento de um bebê. Então, você respira fundo, pois compreende, se essa pessoa não tem filhos, ela não sabe o que está falando. Mas esses comentários se tornam frenquentes durante a gestação e, inclusive, na licença maternidade há quem pense que você não faz nada e pede favores acompanhados de frases assim “você podia ver isso já que está em casa e tem mais tempo”. Imagina uma puerpéria ouvir isso. Então, dá vontade de matar o ser humano.
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03 nov 2015

Apego demais é bom ou ruim?

apego

Tenho lido bastante sobre a criação com apego e me identifico muito com as teorias. Ao contrário do que muita gente prega, criação com apego não se resume em carregar o bebê no sling, compartilhar cama, amamentar até os dois anos de idade, não mandar para escola até não sei quantos anos, não deixar chorar por mais de um minuto, etc. E lendo sobre isso, fica claro que existem dois lados.

De um lado, estão aqueles que acreditam que você deve “treinar” o bebê. Isso significa fazê-lo dormir sozinho, deixá-lo chorar, não mimá-lo, não pegá-lo no colo, torná-lo independente, etc. É como um regime militar. Você ensina seu bebê a agir de acordo com sua necessidade, de acordo com o seu desejo. É rígido demais para um bebê. Do outro lado, estão os defensores do avesso, os que acreditam na importância dos pais seguirem o ritmo do bebê. Os que estão desse lado, acreditam que para ter uma criança bem acomodada e adaptada, a mãe precisa atender a todas as suas necessidades. Só que se nós mães, seguirmos isso à risca, significa também abrir mão da própria vida.
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20 out 2015

Por que ensinar o bebê a dormir sozinho?

por
Gabi Miranda

Bebê, Destaque, Filhos

Foto: Bolsa de Mulher

Foto: Bolsa de Mulher

Acabo de fazer Stella dormir. Enquanto faço isso, ninando ela em meus braços, reflito sobre a ideia que algumas pessoas têm sobre ensinar o bebê a dormir sozinho. Está em livros, na internet e vários pediatras abordam o tema.

Segundo a teoria do Dr. Richard Ferber, diretor do Centro de Disfunções Infantis de Sono no Children’s Hospital, em Boston, os maus hábitos de sono são aprendidos e, portanto, podem ser desaprendidos. Para isso, ele recomenda que os pais coloquem o bebê no berço acordado e o ensinem a dormir sozinho. Se o bebê chorar, o Dr. acima sugere deixar a criança chorar por períodos cada vez mais longos.

Lembro que a nossa pediatra indicou deixar o Benjamin resungar por um período de 5, 10 e 15 minutos, mas não era para ensiná-lo a dormir. Na verdade, tinha a ver com deixá-lo resmungar e não atendê-lo ou pegá-lo no colo a cada gemido que ele desse, pois assim como adultos, os bebês também têm picos durante o sono que podem fazê-lo acordar brevemente e voltar a dormir em seguida.
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13 out 2015

Cheiro de bebê, cheiro de filho

por
Gabi Miranda

Bebê, Destaque, Filhos

cheiro-bebe

Algumas lembranças na vida são marcadas por cheiro. O cheiro da nossa casa de infância. O cheiro de domingo da casa da nossa avó. O cheiro do café com leite da irmã que toma ao seu lado. O cheiro de um bolo sendo assado. O cheiro do cabelo da nossa mãe. O cheirinho da roupa dela e até da nossa lavada por ela. Agora mesmo me bateu saudade do cheirinho da minha mãe e por muitas vezes após sua partida, sentia seu perfume. Cheiro de bebê. Se pararmos para pensar, o cheiro marca a nossa vida. O cheiro faz parte da nossa memória afetiva.

Qual cheiro você gosta mais? Eu gosto do cheiro da casa limpa, da roupa de cama trocada, da toalha limpa pendurada. Gosto do cheiro das roupas do meu pai, que sempre me lembra o cheiro do meu avô. Gosto do cheiro do marido quando sai do banho.

Alguns cheiros nos causam até rejeição, como pessoa cheirando a cigarro e podem até afastar possíveis amores. Outros podem aproximar e causam nostalgia da boa. Tem um cheiro, o meu preferido ou melhor, o preferido de todas as mães. Cheiro de bebê, cheiro do seu filho. Desde quando ele é bebê que alastra aquele cheirinho inconfundível por toda casa, até a vida toda, imagino eu. Cheiro de quando o filho sai do banho. Cheiro do seu chulezinho. E tem aquele cheiro da mão, de quando eles são recém-nascidos e só ficam com a mão fechadinha e de tanto levar a boca, fica um cheirinho, uma espécie de chulezinho. Do bafinho de leite ou ao acordar. Cheiro do seu suor, algo meio azedinho mas tão gostosinho. Cheiro da casa com criança. Filhos tem cheiro de amor e de felicidade. Esse é o cheiro que mais gosto, meu preferido, cheirinhos dos meus filhos, da minha vida.
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01 out 2015

A linguagem dos bebês

por
Gabi Miranda

Bebê, Destaque, Filhos

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Uma das coisas que me incomoda bastante – pra não dizer que me irrita profundamente – é o bebê começar a chorar e as pessoas por perto começam suas especulações: “ele está com fome”, se alimentado vem a máxima “então é cólica”, e quando o bebê não para de chorar e, provavelmente, os outros querem que calem a boca dele, logo lançam “e se der a chupeta, ele não para de chorar?!”. Ninguém lembra que o choro é a linguagem dos bebês.

Vamos partir do princípio básico, a forma de comunicação dos bebês é através do choro. E eles choram por diversas razões: pode ser fome, sono, dor, gases, fralda suja, calor, frio, uma roupa, perfume, ambiente que está incomodando, ou até porque quer um colinho, um afago, um abraço. Mas os outros sempre tem opiniões e pitacos para dar. Passei dias ouvindo o choro da Stella sem saber o que era. Enquanto muitas pessoas diagnosticavam cólica, esse era o único sintoma que eu tinha certeza não ser. Parece que cólica é a palavra que descreve todas as situações em que um bebê chora desesperadamente. Além do choro, bebês também se comunicam através de movimentos corporais e Stella não passava nenhuma informação que indicassem cólicas.
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28 set 2015

As primeiras semanas com o bebê aqui em casa

as primeiras semanas

Imagem: Google

Quis ser desencanada como fui no nascimento do bebê Benjamin e acho que fiz tudo errado nas primeiras semanas da Stella. Acho que foi tudo tumultuado e acabou impedindo de criarmos uma rotina mais adequada para ela. Nos 10 primeiros dias o vovô paterno passou em nossa casa. Marido e Benjamin tiraram férias. Ter uma criança maior em casa dificulta um pouco as coisas por conta de barulho, bagunça, TV ligada, etc., e é complicado fazer o mais velho se adaptar ao bebê. Em minha opinião, o bebê é quem deve se habituar à casa, mas ele precisa de uma rotina e com tantos movimentos acho que fica difícil.

Só me dei conta mais tarde que precisava ter programado um ritual e organizado melhor nossos primeiros dias em casa com nossa bebê, Stella. Por exemplo, o Benjamin ter ficado em casa vejo um lado positivo e outro negativo. Foi ótimo ele ter participado desde o início da integração da Stella em nossa família e acredito que o fez se sentir mais importante do que ele já é. O outro lado é que uma criança na idade dele faz muita bagunça, até um pulo que ele dá traz uma sensação de susto ao bebê. E Benjamin, tadico, acabou ficando a maior parte do tempo dentro do apartamento, não aproveitou suas férias. Não foram férias maiúsculas, embora ele tenha curtido do jeito que foi.
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