13 out 2015

Cheiro de bebê, cheiro de filho

por
Gabi Miranda

Bebê, Destaque, Filhos

cheiro-bebe

Algumas lembranças na vida são marcadas por cheiro. O cheiro da nossa casa de infância. O cheiro de domingo da casa da nossa avó. O cheiro do café com leite da irmã que toma ao seu lado. O cheiro de um bolo sendo assado. O cheiro do cabelo da nossa mãe. O cheirinho da roupa dela e até da nossa lavada por ela. Agora mesmo me bateu saudade do cheirinho da minha mãe e por muitas vezes após sua partida, sentia seu perfume. Cheiro de bebê. Se pararmos para pensar, o cheiro marca a nossa vida. O cheiro faz parte da nossa memória afetiva.

Qual cheiro você gosta mais? Eu gosto do cheiro da casa limpa, da roupa de cama trocada, da toalha limpa pendurada. Gosto do cheiro das roupas do meu pai, que sempre me lembra o cheiro do meu avô. Gosto do cheiro do marido quando sai do banho.

Alguns cheiros nos causam até rejeição, como pessoa cheirando a cigarro e podem até afastar possíveis amores. Outros podem aproximar e causam nostalgia da boa. Tem um cheiro, o meu preferido ou melhor, o preferido de todas as mães. Cheiro de bebê, cheiro do seu filho. Desde quando ele é bebê que alastra aquele cheirinho inconfundível por toda casa, até a vida toda, imagino eu. Cheiro de quando o filho sai do banho. Cheiro do seu chulezinho. E tem aquele cheiro da mão, de quando eles são recém-nascidos e só ficam com a mão fechadinha e de tanto levar a boca, fica um cheirinho, uma espécie de chulezinho. Do bafinho de leite ou ao acordar. Cheiro do seu suor, algo meio azedinho mas tão gostosinho. Cheiro da casa com criança. Filhos tem cheiro de amor e de felicidade. Esse é o cheiro que mais gosto, meu preferido, cheirinhos dos meus filhos, da minha vida.
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24 nov 2014

O que é ser avô

por
Gabi Miranda

Uncategorized

avô

Há três anos e alguns meses, meu pai me escreveu o texto abaixo. 

Quarta-feira, 06 de abril de 2011, 0h51

De: Alvaro
Para: Gabi

Gabi,

dá vontade de chorar, às vezes, quando penso que vou ter um neto…. Não caiu a ficha ainda, nem sei dizer, não sei palavras, razão, não sei dizer nada… absolutamente nada! As pessoas falam que é bom ter neto et cetera, mas não sei não, não sei o que elas querem dizer… não sei nada, só sei que é uma coisa boa, parece meio como se eu estivesse “grávido”, grávido do futuro, embora esse futuro não me pertença, embora eu seja o passado…

e assim vou na madrugada de ficar no instante de um samba, da contemplação da lua mais perto, do horizonte de apertarmos olhos, de ficar assim miúdo como estou aqui agora, tão ínfimo, tentando palavras e o mais que possível de estender a vida…

Seu pai

*

Há três anos e pouco ele exerce a função de avô. Dia desses encontrei esse texto e resolvi perguntar: Pai, agora você já sabe o que as pessoas queriam dizer quando falavam que é bom ter neto?!
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06 maio 2014

Arte de ser feliz

por
Gabi Miranda

Livros

Arte de ser feliz

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louca azul. Nesse ovo costumava ousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não a podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu que participava do auditório imaginava os assuntos e suas peripécias – e me sentia completamente feliz.
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