20 jul 2018

Uma das minhas histórias de vida

por
Gabi Miranda

Coach de Vida, Colunas, Destaque

uma das minhas histórias de vida

Houve momentos na minha vida que senti que as coisas fugiam ao meu controle. E hoje vou contar uma das minhas histórias de vida.

Como executiva mentalmente “formatada” para ter tudo planejado, controlado e dando resultados, me deparei em 2016 com a notícia de que tinha um melanoma (câncer de pele metastático). Absorvi a informação de forma muito equilibrada, segui os passos recomendados pela dermatologista e cirurgião oncológico (meus anjos da guarda!) e agendei a primeira cirurgia para 10 dias após o diagnóstico. Praticidade ao máximo! Se tenho que resolver, vamos lá.

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Até o pós-operatório tudo estava sob controle. No entanto, a surpresa veio quando, na biópsia que fizeram dos linfonodos (gânglios) da axila, o resultado foi positivo. Ou seja, o melanoma do braço havia passado para os linfonodos e seria necessário fazer uma nova cirurgia para retirá-los. Nesse momento, senti que “as coisas fugiam ao meu controle”. Mistura de medo, susto, “alguém me ajuda, o que mais pode vir”? Sabe quando falam em vulnerabilidade? Pois é, isso mesmo. Sentimento de “perdi o controle da minha vida”.

uma das minhas histórias de vida

Fiz a segunda cirurgia e logo depois recebi a indicação de fazer imunoterapia por um ano. Entendi bem como seriam os efeitos colaterais e, sem pensar muito, comecei indo todos os dias nos primeiros 45 dias ao hospital para a aplicação da droga e, depois, três vezes por semana até completar os 12 meses. Ou seja, vivia no hospital… via pessoas tristes, criancinhas doentes, jovens com cara de assustados, familiares de pacientes chorando escondidos e por aí vai. Eu só pensava: “tenho sorte, posso estar aqui fazendo o tratamento indicado, sei que vai terminar em um ano e a minha vida voltará ao normal; mas será que eles vão conseguir seguir a vida?”

Veja bem, nunca duvidei de que sairia dessa situação e cá estou contando uma das minhas histórias de vida para vocês, depois de três controles trimestrais, limpa. O “durante” foi pesado porque a imunoterapia drena a energia, tira a fome (mas te engorda!), dá enjoo e enxaqueca, desanima de forma geral e acho que fiquei um pouco deprê, “sem querer”.

Hoje, olhando para trás, reflito sobre tudo o que aprendi nesse período e estes são alguns dos achados:

– A vulnerabilidade te deixa mais doce, empático. Você passa a ver as pessoas com mais cuidado, quer ajudar para que não passem pelo que você está passando.

– Quando as coisas fogem ao nosso controle, deixe estar. Busque quem possa te apoiar, aceite ajuda e, por mais contraditório do que possa parecer, relaxe. Faça o que tem vontade. Se permita dizer “não” e se preserve.

– As dificuldades trazem aprendizados…chavão, eu sei…mas hoje tenho mais capacidade de enfrentar as adversidades. Algo que poderia ser um problemão vira um probleminha. Contudo, problemão foi o que ficou no passado e que poderia ter desencadeado mais problemões. Como diz Sandra Huang, ex-paciente de linfoma não Hodgking, “…ninguém morre de véspera e a doença vai te dar um presente! Um par de óculos para você enxergar a vida diferente! Claro, claro, você pode jogá-los fora. O livre arbítrio não é lenda, não!”.

O meu exercício agora é manter esses aprendizados no dia a dia. Lembrar que quando estamos vulneráveis podemos ser pessoas melhores e, por que não, manter isso também quando estamos fortalecidos? Ouça quem precisa de um ouvido, estenda a mão, faça companhia (como minha filha Vicky, na foto à época do tratamento, que me segue em muitas aventuras e também me deu uma superforça nesse período), brinque mais, demonstre afeto e faça tempo para coisas que realmente são importantes para você!

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Uma resposta para “Uma das minhas histórias de vida”

  1. Viviane Souza disse:

    Obrigada por compartilhar sua experiência, adorei o texto, parabéns!

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